domingo, 22 de março de 2009

isto não é um poema

girando a caneta
faz-se um rangido
como aqueles dos
balanços do
parquinho da estação...

isso era por volta de
1985...

e também o barulho
do portão de filetes
de ferro enferrujado...

meu coração
sozinho
range junto

terça-feira, 17 de março de 2009

aí estão as horas
do meu futuro
no beiral da janela

se as seguro comigo
elas se tornam passado
e morrem

se as deixo onde estão
elas despencam do alto
e morrem

ah! futuro esse
que não me pertence!

quarta-feira, 11 de março de 2009

full moon

luzes monocromáticas
cor de mercúrio
na cidade
acesa

intesa
noite iluminada
pelos postes todos
e pela lua cheia incandecente

tons sobre tons de sombras
equalizam-se no ar
no vértice das edificações
no arcabouço dos becos
sem saída

latas de lixo (reciláveis)
24 h até o amanhecer
quando o sol
ao horizonte infinito e lúcido
chegar

domingo, 8 de março de 2009

embreagado de sono
sou o trapo sujo
no beiral da janela:
todo o Mundo me deixa
alucinado, todas as Letras
todas as Músicas
e nada tenho
em meu final
de noite de domingo

até a endorfina
secou

até as ilosórias imagens
do céu entardecendo
parecem cenas
baratas de um
Teatro esquecido

mas, a vida prospera
em minúsculos gestos
no tom de voz do locutor
que pré-vê o tempo
no resto de chá
no bule
na consciência
que rompe o ciclo
da preguiça
e ativa
a piedade cristã
da culpa
em transfigurações
metafíscias
que jsutificam
o ócio
o consumo
o erotismo
o dia
seguinte

quinta-feira, 5 de março de 2009

na toca, no breu, no veludo do céu
atentos ao fogo áspero
que corrói as artérias
dos sonhos
redes de
pensamentos
sedentos
afins

colhe pra plantar depois
ao vento, ao cínico, ao mágico
máscara que separa
a face da verdade
mentira

aos farrapos, aos trapos
aos deus dará, aos destemidos
tudo quanto for
amontoados
descalços
sens qualquer coisa
sem fins

na praça, na lua
na fronteira, na esquina
na sombra, na supercífice
de tensão da água
na bolha, na pétala
na encruzilhada
no meio fio
na meia borda
na borda da linha
na agulha
na vertirgem
na ponta dos pés
na beira
do abismo

quarta-feira, 4 de março de 2009

apago a luz e deixo a casa
mas, para não deixar
tudo em silêncio
deixo o ventilador ligado

e a rua é tão íntima
tão quente
ao infinito aberta
(ou seria fechada?)

ouço uma t.v ligada
na casa com a porta
semi fechada
(ou seria
semi aberta?)

volto a minha casa
que havia ficado no escuro
com a porta fechada
e o ventilador ligado

encontro o retrato
da minha infância
sobre mesa
e quase não me vejo
( a casa está escura)

e na parede, já gasta
o futuro me espreita

o ventilador
ainda ligado
me avisa:

esqueceu a luz
apagada!

domingo, 1 de março de 2009

misturei os tons de vertigem da alma
nas tardes de céu colorido
e meu coração parou